Quantitative easing

Escrito por : <b>Hirbis Girolli</b>

Escrito por : Hirbis Girolli

Vamos descobrir a importância do conceito do quantitative easing (QE) – – ou afrouxamento monetário – para o mercado financeiro e, por consequência, para as nossas finanças.

Esse é um texto curto, como você poderá conferir. Por isso não vamos esgotar todos os ângulos de análise sobre o termo que envolve um roteiro muito sofisticado de ações por parte dos bancos centrais.

De forma rápida e objetiva, vamos abordar os seguintes pontos, dentre outros:

  • O que é o quantitative easing?
  • Uma analogia possível sobre o quantitative easing
  • Quais os países que possuem melhores condições de fazer quantitative easing?
  • O Brasil já promoveu quantitative easing?
  • Quais os principais problemas que a adoção do quantitative easing pode gerar para nossas finanças?
  • E mais…

O que é quantitative easing?

É uma ação coordenada pelo Banco Central de um determinado país para estimular a economia através do aumento da liquidez, ou seja, do dinheiro disponível para crédito, através das instituições financeiras.

Esse aumento é feito através da compra de títulos públicos e privados em poder dessas instituições financeiras. Vendendo esses títulos, elas ficam com mais dinheiro em caixa e, em tese, podem emprestar mais, a juros menores.

Essa compras de títulos pelos bancos centrais é viabilizada através de dinheiro criado pelo próprio Banco Central apenas em ambiente eletrônico, o chamado dinheiro escritural.

Por que dinheiro escritural?

Porque países com economias minimamente organizadas não mandam imprimir dinheiro físico para pagar salários e demais despesas do governo, pois isso tem uma consequência imediata e pesada na inflação.

Daí vem essa opção mais sofisticada proporcionada pela política de quantitative easing.

Uma analogia possível sobre o quantitative easing

É como se você estivesse sistematicamente com a mente muito cansada e usasse cada vez mais cafeína para poder raciocinar melhor.

Entretanto, você sabe que se beber litros de café todos os dias vai acabar tendo úlcera.

As notas impressas sem lastro representam os litros de café e a inflação é a úlcera.

Então, ao invés de tomar café comum, você passa a ingerir pílulas de cafeína em doses calculadas na expectativa de conseguir ativar o cérebro sem ter outros problemas com o corpo.

Sua esperança é que as pílulas de cafeína funcionem para o seu cérebro assim como a expectativa do Banco Central é de o dinheiro eletrônico comprando títulos funcione para injetar liquidez e reanimar a economia.

Quais são as ações que compõem uma estratégia de quantitative easing?

Como vimos, quando o Governo e o Banco Central desejam estimular a economia porque eles consideram que ela está lenta, com desemprego em alta e perspectiva de baixo crescimento – e até de deflação de preços – eles recorrem aos 3 passos abaixo.

Eles são uma espécie de roteiro do quantitative easing:

  1. Redução pura e simples da taxa de juros básica paga pelo governo nos empréstimos que ele pega no mercado;
  2. Compra dos títulos públicos que estavam nas mãos dos investidores (aquelas quem emprestam dinheiro ao Governo)
  3. E agora a última inovação: compra de títulos privados nas mãos dos investidores

Esses 3 mecanismos acima foram sendo criados e implantados como uma espécie de escalada dentro do roteiro do quantitative easing.

O último item, o de compra de títulos privados, começou a ser aplicado em maior escala a partir da crise de 2008 – e agora veio com tudo com a crise do coronavírus.

Quais os países que mais possuem condições de fazer um quantitative easing?

Naturalmente são aqueles que emitem moeda forte. Moedas que possuem uma demanda global. Estados Unidos e o Bloco Europeu são os melhores exemplos.

O Brasil já praticou o quantitative easing?

Sim, na pandemia do coronavírus até o Brasil aderiu à receita completa do quantitative easing, incluindo a compra de títulos privados, algo que não havia feito até então.

Quais os principais problemas que o quantitative easing pode gerar para a economia dos países?

Para responder, podemos voltar à analogia da cafeína.

Após um certo período de ingestão de cafeína, é provável que o corpo desenvolva uma certa tolerância. Daí são necessárias doses cada vez maiores para obter o mesmo resultado em “estímulo”.

Com o quantitative easing pode acontecer a mesma coisa. Apesar de taxas de juros negativas em muitos países, as políticas de afrouxamento monetário parecem ser insuficientes para ativar as economias.

No entanto, trilhões de dólares ou euros são injetados no mercado para comprar títulos, aumentando o risco de formação de bolhas nos preços dos títulos e até das ações no mercado financeiro.

Quais os principais problemas que o quantitative easing podem gerar para nossas finanças individuais?

Muitos são os problemas potenciais e as consequências não intencionais dessas mega intervenções similares às políticas de quantitative easing.

Para nós, o problema mais visível é decorrente da elevação artificial no preço dos ativos: títulos e ações.

Quando as bolhas estouram, e o mercado despenca, isso leva a uma desvalorização repentina e intensa dos investimentos em poder dos pequenos e médios investidores. Sobretudo daqueles que se empolgaram demais com as altas nos preços durante a formação da bolha.

Diversos investidores que estavam alocados de forma equivocada ao seu perfil de risco ou ao prazo do investimento podem sofrer grandes prejuízos.

Mas por que não dizer “flexibilização quantitativa” (sua tradução literal) ou “afrouxamento monetário”, sua tradução mais técnica?

Bem, você que navega pelo universo das finanças pessoais sabe que ele é povoado de expressões em inglês. Quantitative easing é mais uma delas.

Hirbis Girolli

Hirbis Girolli

Fundador da Plataforma Finantor

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